naperon

Duas boas amigas juntam-se para desarrumar os bibelots.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

O vício

Eu fumo. É inconsequente e estúpido. Faz mal! É um vício nojento.

Ontem ao fim do dia comprei um maço de tabaco. Fumei uns três antes de ir para casa. Antes do jantar fumei um. Tinha o maço cheio, praticamente. Noite garantida, sem riscos de falhas, tudo controlado.

Ninguém imagina o que é -a não ser um fumador- perder um maço de tabaco cheio dentro de casa. Nem eu própria imaginava o que seria antes de me acontecer.

Ora bem, reconstituo os factos:
1. fumei um cigarro ao pé do fogão (tenho exaustor);
2. pousei o maço ao lado (tenho a certeza);
3. jantei;
4. deitei A criança, que fez uma grande birra e me deixou a precisar de um cigarro;
5. voltei ao local onde supostamente estariam os cigarros e nada!

NADA!

Ao primeiro sinal de desaparecimento de algo que penso que estaria num determinado sítio, eu nunca desespero. Acontece-me sempre. Estou habituada a dizer perdi, antes sequer de procurar. Faz parte. Por isso, comecei à procura.

NADA!

Ninguém -a não ser um fumador- pode perceber o que é querer um cigarro, tê-lo e não o fumar. Os meus cigarros desaparecidos, tão queridos, tão estimados. Reconstitui os passos novamente. Todos os locais possíveis vasculhados. Até saí de casa para ver se apanhava algum café aberto.

NADA!

Tenho de admitir: procurei no lixo. Mas não procurei simplesmente em casa, não. A minha prima e roommate já tinha levado o lixo para o caixote do prédio. Por isso tirei o saco do lixo do caixote e abri-o em casa para não ser apanhada a fazê-lo nas escadas. Confesso que só abri o saco para ver se estava no topo, não andei a vasculhar. Mas era um possibilidade real: qualquer um de nós podia ter posto o maço por engano no lixo. Pois, no topo, não estava. Não tenho orgulho de tê-lo aberto mas também não me orgulho de não ter ido até às últimas consequências.

Continuei a abrir gavetas, armários. Debaixo dos móveis, das camas, em todo o lado!!!!! Fiquei nisto muito tempo, com uma ânsia que só um viciado pode compreender. Ou alguém que tenha um pouquito de obsessivo compulsivo em si.

Desisti de cansaço e por sentido de ridículo. Hoje de manhã, mal saí de casa, lá fui comprar tabaco, desejando fumar todos os cigarros que me escaparam ontem à noite.

Quando tentar deixar de fumar, vai ser difícil. A minha boa amiga logo replicou: "tens de mudar o discurso - quando deixar de fumar". Ah pois, tem razão, mas até isso é difícil de dizer.

É um vício nojento, mas sou-lhe tão afeiçoada.

4 Comments:

  • At 3:51 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    AI minha amiga! Eu não fumo mas só de ler, partilhei a tua angústia!!!
    Não gosto de estar sempre ao lado de fumadores, de sentir a roupa atabacada, de repirar uma nuvem cinza... mas também acho que não é justo essa angústia... por isso fuma ana vicenti, fuma, ATÉ DEIXARES, MAS DEIXA, MESMO. Até lá vai gozando! Podes sempre pôr um sensor de localização no maço! Eu devia fazer mesmo, mas com as chaves, ou os meu batôns... lindos!

    Mas não será mais angustiante do que perder o tabaco (não há portanto, ponto final) não ter lume?... do género... na rua à noite a vaguear... não há ninguém e tu deixaste o isqueiro algures??

    Viva a secção de perdidos e achados!

    am

     
  • At 4:06 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Eu não gosto do cigarro. Mais á momentos em que cheirar um bocadito do cigarro dos outros até me da certo prazer (se calhar por que eu já fumei)...

    ... mais por quê digo isto?

    Por que não acho que o vicio do cigarro seja nojento. Nojento é o vicio em sí, como bem diz o título. Não acho que o cigarro seja nojento: é incomodativo por que é um vicio agrasivo que invade o espaço dos terceiros. Mais nojento?
    Nojento é um bébado que não se controla no meio da rua. Nojento é alguem a cuspir na pasadeira.
    Tu e todos os fumadores disfrutam do cigarro. Se disfrutas, então por quê acha-lo nojento? desfruta dele sem remorsos, pelo menos em quanto fumes. Se estás sentir remorsos, se calhar é por que chegou a hora de pensares em deixar de fumar, por que fumador que fuma e se lamenta é como ter sexo e estar a pensar que não devia, mais vamos lá! assim não! nada mais agradavel que uma pessoa que desfruta do que faz! (claro, sem deitar o lumo para mim, S.F.F.)

    Eu sou compulsivo com as coisas que gosto e perco, como quando não encontro a caneta especial que tenho para desenhar, e que provavelmente estará escondida detrás de um movel. (nunca fui procurar no lixo, mais se eu suspeita-se, iria!) (e ligava-te para sentires que não es tu sozinha que faz isso)

    Kardo

     
  • At 12:15 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    sei tão bem o que é...
    partilhei contigo esse momento de desespero tão bem descrito e tão familiar áqueles que fumam ou que já fumaram (como está a ser o meu caso há 19 dias... -sim sou mais uma daquelas pessoas que aproveita uma data especial, como o fim d´ano para deixar de fumar-)

    normalmente o que costumava acontecer-me nesta situação desesperante, é que desistia de procurar e acabava por sair á noite de casa, vestido com umas calças de fato treino, apanhar frio até encontrar o último café aberto, comprar o maço de cigarros, voltar orgulhosamente para casa, abrir rapidamente o maço, e fumar calmamente o meu cigarro. Inevitávelmente ao olhar para o lado, dava de caras com o outro maço praticamente cheio a olhar para mim do sítio mais íncrivel, como debaixo do cachecol...

    guga

     
  • At 2:06 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    se fumar não matasse eu não fumava... como dizia o outro... ah e tal porque és jovem... dizem uns... fumo como quem pensa... pessoa dix it... fumo e bato com a cabeça nas paredes...

    vou fazer um cigarrito e aproveitar este sol de janeiro em todas as ruas. sol e cigarro preso no sorriso.

    ciau.
    mm

     

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